11-07-2011, 05:06 AM
Para quem gosta de clássicos, música e sapateado... recomendo os filmes com a participação nada mais e nada menos do ilustríssimo Fred Astaire. Como este por exemplo.
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![[Imagem: Poster+-+Shall+We+Dance_01.jpg]](https://3.bp.blogspot.com/-CF7VCw2mmsA/TdBHkkXNerI/AAAAAAAAKUM/ZipPSTm04sI/s640/Poster+-+Shall+We+Dance_01.jpg)
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Resenha:
VAMOS DANÇAR?
“Shall We Dance” (1937), de Mark Sandrich, é seguramente uma das jóias da coroa da colaboração de Fred Astaire com Ginger Rodgers, coreografando de forma sublime, em cenários de uma estilizada modernidade, a inspiradíssima música de Gershwin. Aliás, esta foi a primeira e única vez que os irmãos Gershwin (George e Ira Gershwin) escreveram directamente para o cinema uma partitura destinada a um filme de Fred Astaire e Ginger Rodgers. Já tinham escrito, para o teatro, a partitura de “Funny Face”, levado a cena na Broadway, com Astaire no protagonista, e também a música de “Damsel in Distress”, mas no qual o actor aparecia ao lado de Joan Fontaine. E seria igualmente a última partitura que ambos escreveriam, pois George viria a morrer pouco depois, quando se encontravam ambos a musicar “Goldwyn Follies”. O momento é de eleição, pois os números musicais, cantados e dançados, são de excepcional qualidade, quase sempre mesclando o bailado clássico e o jazz, ou mesmo criando coreografias unicamente para sons, como é o caso desse brilhante bailado a solo de Fred Astaire, passado na casa das máquinas de um transatlântico.
Mais uma vez a história é muito complexa nas suas peripécias, mas muito simples na sua formulação: Petrov, grande bailarino russo, clássico na sua formação, mas obstinado na sua improvisação jazzística, encontra-se em Paris, com o seu empresário. Petrov não passa de um nome falso para camuflar a presença do americano de Filadélfia, Pete P. Peters. A sua fama cresceu com o nome Petrov e agora dificilmente se vê livre dele. Petrov sabe da presença em Paris de uma bailarina norte-americana, de nome Linda Keene, cujas actuações ele muito admira e por quem se apaixona, sem a conhecer pessoalmente. Quer, no entanto, casar definitivamente com Linda. Mas esta tem mau feitio.
Aqui começa o jogo do gato e do rato, dos embustes e das meias verdades, numa curiosa inspiração das comédias de vaudeville: ambos partem para Nova Iorque a bordo do Queen Anne e durante a viagem tudo acontece. Ele aproxima-se, ela afasta-o; ambos passeiam os cãezinhos, próprios ou alugados, pelo convés do navio; Petrov chega a dançar ao som de um disco riscado que não sai do mesmo sítio, o que cria uma coreografia invulgar; na sala das máquinas improvisa, com uma orquestra de negros (os “Bojangles of Harlem” com quem já tinha trabalhado em “Swing Time”), um bailado, "Slap That Bass", que tem muito a ver com os tempos de crise que se viviam em 1937, pois a letra fala de “um mundo em frangalhos, de políticos e de impostos” e acaba por finalizar desejando que “a infelicidade se vá embora, os homens precisam de ser felizes e estes sentem o ritmo”. Quando Petrov quer “arrumar” com o seu empresário, começa a balouçar o corpo, levando-o a acreditar que o navio ondula, o que causa um enjoo insuportável no metediço anti-casamenteiro. Astaire tem ainda tempo para cantar uma bela melodia em que se declara a Linda, esperando ter a “sorte de um principiante”. Há um divertido exercício de combate a fogo para experimentar os recursos da marinha, que coloca o lunático empresário de Petrov numa situação patética e, para culminar o clima de tensão, chega de Paris um telegrama, afirmando que Linda e Petrov viajam sob disfarce, mas afinal estão casados. O bailado clássico e o jazz casam-se enfim. Linda, enraivecida, sai do navio, no próximo avião correio, mas ambos estão fadados a encontrarem-se sempre nos mesmos hotéis. O que volta a acontecer em Nova Iorque.
Claro que dançam, ora se aproximam, ora se afastam, os bailados acompanham esse jogo de sedução e de desencanto, passeiam por Central Park, dançam num ringue de patinagem, e resolvem ir a New Jersey casar, para assim se poderem divorciar rapidamente. Linda quer acabar de vez com os boatos e finalmente casar com o milionário dos “grandes iates e do queixo mínimo.”
No conjunto das grandes canções que compõem a banda sonora, aparecerá então a celebérrima “They Can't Take That Away From Me”, mas há outras igualmente brilhantes dispersas ao longo do filme, como “They All Laughed”, “Nice Work If You Can Get It”, "Beginner's Luck", "Let's Call The Whole Thing Off" ou "Shall We Dance", com que termina em “happy end” mais esta história de amor de dois príncipes encantados.
Confessava Amália Rodrigues que um dia em Nova Iorque, para onde tinha ido com a ideia de se suicidar, comprara umas cassetes de filmes de Fred Astaire, as colocara no leitor, e depois de recordar estas imagens mágicas tinha perdido toda a vontade de se suicidar. Não foi só a Amália Rodrigues que isto aconteceu. Há várias confidências idênticas que se conhecem. Estas obras inspiravam quem as via, e ainda inspiram quem as vê agora, em momentos difíceis da existência, individual ou colectiva. Elas representaram o lado de sonho, do sentimento de que, apesar de tudo, nada é impossível, quanto mais não seja deixarmo-nos mergulhar na magia de cenários sumptuosos de uma elegância extrema, no luxo das vidas de exóticos artistas, nos amores desencontrados que acabam sempre por chegar a bom porto, nos sublimes bailados que elevam o homem aos céus e o arrancam desta pequenez terrena, ou nas insinuantes composições musicais que soam como sons de inspiração divina.
Há quem diga que esta “fábrica de sonhos” afastava os homens dos seus reais problemas e os alienavam da sua condição. É verdade que sim. Ainda bem que há artistas que conseguem atenuar as agruras da vida e permitem que a mesma tenha momentos de real felicidade. Uma felicidade quimérica, que nunca passa do ecrã para a realidade? Falso. Quem vê “Vamos Dançar?” sabe que a felicidade existe, nem que seja durante 103 minutos.
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http://www.youtube.com/watch?v=IFabjc6mFk4
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![[Imagem: Poster+-+Shall+We+Dance_01.jpg]](https://3.bp.blogspot.com/-CF7VCw2mmsA/TdBHkkXNerI/AAAAAAAAKUM/ZipPSTm04sI/s640/Poster+-+Shall+We+Dance_01.jpg)
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Resenha:
VAMOS DANÇAR?
“Shall We Dance” (1937), de Mark Sandrich, é seguramente uma das jóias da coroa da colaboração de Fred Astaire com Ginger Rodgers, coreografando de forma sublime, em cenários de uma estilizada modernidade, a inspiradíssima música de Gershwin. Aliás, esta foi a primeira e única vez que os irmãos Gershwin (George e Ira Gershwin) escreveram directamente para o cinema uma partitura destinada a um filme de Fred Astaire e Ginger Rodgers. Já tinham escrito, para o teatro, a partitura de “Funny Face”, levado a cena na Broadway, com Astaire no protagonista, e também a música de “Damsel in Distress”, mas no qual o actor aparecia ao lado de Joan Fontaine. E seria igualmente a última partitura que ambos escreveriam, pois George viria a morrer pouco depois, quando se encontravam ambos a musicar “Goldwyn Follies”. O momento é de eleição, pois os números musicais, cantados e dançados, são de excepcional qualidade, quase sempre mesclando o bailado clássico e o jazz, ou mesmo criando coreografias unicamente para sons, como é o caso desse brilhante bailado a solo de Fred Astaire, passado na casa das máquinas de um transatlântico.
Mais uma vez a história é muito complexa nas suas peripécias, mas muito simples na sua formulação: Petrov, grande bailarino russo, clássico na sua formação, mas obstinado na sua improvisação jazzística, encontra-se em Paris, com o seu empresário. Petrov não passa de um nome falso para camuflar a presença do americano de Filadélfia, Pete P. Peters. A sua fama cresceu com o nome Petrov e agora dificilmente se vê livre dele. Petrov sabe da presença em Paris de uma bailarina norte-americana, de nome Linda Keene, cujas actuações ele muito admira e por quem se apaixona, sem a conhecer pessoalmente. Quer, no entanto, casar definitivamente com Linda. Mas esta tem mau feitio.
Aqui começa o jogo do gato e do rato, dos embustes e das meias verdades, numa curiosa inspiração das comédias de vaudeville: ambos partem para Nova Iorque a bordo do Queen Anne e durante a viagem tudo acontece. Ele aproxima-se, ela afasta-o; ambos passeiam os cãezinhos, próprios ou alugados, pelo convés do navio; Petrov chega a dançar ao som de um disco riscado que não sai do mesmo sítio, o que cria uma coreografia invulgar; na sala das máquinas improvisa, com uma orquestra de negros (os “Bojangles of Harlem” com quem já tinha trabalhado em “Swing Time”), um bailado, "Slap That Bass", que tem muito a ver com os tempos de crise que se viviam em 1937, pois a letra fala de “um mundo em frangalhos, de políticos e de impostos” e acaba por finalizar desejando que “a infelicidade se vá embora, os homens precisam de ser felizes e estes sentem o ritmo”. Quando Petrov quer “arrumar” com o seu empresário, começa a balouçar o corpo, levando-o a acreditar que o navio ondula, o que causa um enjoo insuportável no metediço anti-casamenteiro. Astaire tem ainda tempo para cantar uma bela melodia em que se declara a Linda, esperando ter a “sorte de um principiante”. Há um divertido exercício de combate a fogo para experimentar os recursos da marinha, que coloca o lunático empresário de Petrov numa situação patética e, para culminar o clima de tensão, chega de Paris um telegrama, afirmando que Linda e Petrov viajam sob disfarce, mas afinal estão casados. O bailado clássico e o jazz casam-se enfim. Linda, enraivecida, sai do navio, no próximo avião correio, mas ambos estão fadados a encontrarem-se sempre nos mesmos hotéis. O que volta a acontecer em Nova Iorque.
Claro que dançam, ora se aproximam, ora se afastam, os bailados acompanham esse jogo de sedução e de desencanto, passeiam por Central Park, dançam num ringue de patinagem, e resolvem ir a New Jersey casar, para assim se poderem divorciar rapidamente. Linda quer acabar de vez com os boatos e finalmente casar com o milionário dos “grandes iates e do queixo mínimo.”
No conjunto das grandes canções que compõem a banda sonora, aparecerá então a celebérrima “They Can't Take That Away From Me”, mas há outras igualmente brilhantes dispersas ao longo do filme, como “They All Laughed”, “Nice Work If You Can Get It”, "Beginner's Luck", "Let's Call The Whole Thing Off" ou "Shall We Dance", com que termina em “happy end” mais esta história de amor de dois príncipes encantados.
Confessava Amália Rodrigues que um dia em Nova Iorque, para onde tinha ido com a ideia de se suicidar, comprara umas cassetes de filmes de Fred Astaire, as colocara no leitor, e depois de recordar estas imagens mágicas tinha perdido toda a vontade de se suicidar. Não foi só a Amália Rodrigues que isto aconteceu. Há várias confidências idênticas que se conhecem. Estas obras inspiravam quem as via, e ainda inspiram quem as vê agora, em momentos difíceis da existência, individual ou colectiva. Elas representaram o lado de sonho, do sentimento de que, apesar de tudo, nada é impossível, quanto mais não seja deixarmo-nos mergulhar na magia de cenários sumptuosos de uma elegância extrema, no luxo das vidas de exóticos artistas, nos amores desencontrados que acabam sempre por chegar a bom porto, nos sublimes bailados que elevam o homem aos céus e o arrancam desta pequenez terrena, ou nas insinuantes composições musicais que soam como sons de inspiração divina.
Há quem diga que esta “fábrica de sonhos” afastava os homens dos seus reais problemas e os alienavam da sua condição. É verdade que sim. Ainda bem que há artistas que conseguem atenuar as agruras da vida e permitem que a mesma tenha momentos de real felicidade. Uma felicidade quimérica, que nunca passa do ecrã para a realidade? Falso. Quem vê “Vamos Dançar?” sabe que a felicidade existe, nem que seja durante 103 minutos.
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http://www.youtube.com/watch?v=IFabjc6mFk4
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![[Imagem: shallwedance.jpg]](https://4.bp.blogspot.com/_RdKgMGIJ6II/RyU-hm-WmfI/AAAAAAAABRU/LhuAgnrLhsY/s400/shallwedance.jpg)
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