04-17-2017, 10:49 PM
Caso vocês tenham interesse, vou postar meu textão do face. Mas sem esquecer de comentar sobre os absurdos do post do KZ. Acho que nem Hellforce se revelaria tão arrombado dessa maneira
Terminei de assistir 13 Reasons Why, e quem ler meu textão vai ganhar muita sabedoria e, também, um vale textão (pra eu ler o seu). COM SPOILERS
Pontos positivos
Caráter ficcional da verdade -Fica bem claro que todos os personagens tinham uma visão singular dos acontecimentos envolvendo a morte de Hannah. Somente o espectador conhece a verdade completa. Mesmo nosso herói Clay só consegue ir até um ponto de restauração da história.
Não só o trauma psíquico é mais letal para um suicida em potencial, como é necessário uma série de acontecimentos para chegar ao ato final - Hannah explica, em cada episódio, pequenos detalhes, independente de serem justos ou não, que culminaram em seu desejo decidido de morrer. Também citou possibilidades de retorno à vida, que se tornaram muito improváveis após seu estupro. E essa é a questão problemática do estupro e demais violências das relações humanas: o seu espírito é destruído, sua fé na humanidade e na vida se esvai. O pior são as marcas mnêmicas, e não o dano físico em si. O corpo se regenera facilmente de um estupro, mas o espírito do sujeito não.
Esses dois pontos positivos que possibilitam legitimar um terceiro: os discursos Psi’s funcionam, e são de grande valia quando vemos falhar o sistema de apoio ao jovem das escolas americanas, ou mesmo brasileiras. Ainda falaria mais: o caráter subversivo do discurso psicanalítico seria o ideal pra encarar uma situação tão complexa quanto a do suicida. Achei que o Mr.Porter chegou o mais próximo possível de fazer uma investigação eficaz. Pena que o sistema escolar e toda a protocolização americana impediu ele de ser mais insistente. Melhor fala dele na série: “In my school, kids shoot each other”. Algo do tipo, referenciando seu ultimo trabalho.
Pontos negativos (são muitos, mas sinto que preciso ser breve)
Glorificação e até erotização do suicídio de Hannah – Certamente a história, de um modo geral, é uma tragédia. Eu comecei a ter essa outra percepção por causa do protagonista Clay, o qual desenvolve todo um senso de justiça, vingança e paixão. As fitas viraram um fetiche pra ele e pro grupinho da escola. As palavras dela tomaram um sentido de verdade quase absoluto, pois é como que sua escolha de morrer fosse uma prova cabal de sua integridade, ao contrário de dois atos bem egoístas: se matar e jogar a bomba pros outros nas fitas. E o jeito que a história é narrada, duvido que, nos meus 16 anos, eu não me apaixonaria pela idéia da moça em apuros que as fitas traziam, certamente eu poderia ser um Clay.
Problemas gravíssimos de roteiro – Porque diabos Hannah ficou sozinha na hot tub depois que todos foram embora? Parece que os autores tão querendo dizer que ela pediu pra dar merda. Podemos dizer que se colocou inconscientemente numa posição de vulnerabilidade, por já flertar com a morte. Mas acho que seria uma análise muito profunda pra uma cena claramente forçada, em todos os sentidos. Tem também as perguntas e indiretas estúpidas do Clay pra mãe dele, Tony vulgo “unhelpful yoda”, Hannah recusar Clay, Zach merecer uma fita (tem que reforçar o esterótipo do jock), o Bryce parecer ter 25+ anos, e etc.
Último ponto, mas igualmente importante: essa série é graficamente perigosíssima para seu público alvo. Não somente as cenas de estupro e do suicídio em si são excessivamente gráficas e LENTAS (ênfase no tempo de tela), praticamente todos episódios tem os famosos triggers dos suicidas. Censura é um negócio muito complicado, e eu particularmente sou contra responsabilizar o cinema, os jogos, a pornografia e etc por atos dos sujeitos. Mas ao mesmo tempo não podemos dar carta branca pra quem produziu essa série, como se a obra artística fosse livre de responsabilidade pelo seu caráter ficcional.
Pontos positivos
Caráter ficcional da verdade -Fica bem claro que todos os personagens tinham uma visão singular dos acontecimentos envolvendo a morte de Hannah. Somente o espectador conhece a verdade completa. Mesmo nosso herói Clay só consegue ir até um ponto de restauração da história.
Não só o trauma psíquico é mais letal para um suicida em potencial, como é necessário uma série de acontecimentos para chegar ao ato final - Hannah explica, em cada episódio, pequenos detalhes, independente de serem justos ou não, que culminaram em seu desejo decidido de morrer. Também citou possibilidades de retorno à vida, que se tornaram muito improváveis após seu estupro. E essa é a questão problemática do estupro e demais violências das relações humanas: o seu espírito é destruído, sua fé na humanidade e na vida se esvai. O pior são as marcas mnêmicas, e não o dano físico em si. O corpo se regenera facilmente de um estupro, mas o espírito do sujeito não.
Esses dois pontos positivos que possibilitam legitimar um terceiro: os discursos Psi’s funcionam, e são de grande valia quando vemos falhar o sistema de apoio ao jovem das escolas americanas, ou mesmo brasileiras. Ainda falaria mais: o caráter subversivo do discurso psicanalítico seria o ideal pra encarar uma situação tão complexa quanto a do suicida. Achei que o Mr.Porter chegou o mais próximo possível de fazer uma investigação eficaz. Pena que o sistema escolar e toda a protocolização americana impediu ele de ser mais insistente. Melhor fala dele na série: “In my school, kids shoot each other”. Algo do tipo, referenciando seu ultimo trabalho.
Pontos negativos (são muitos, mas sinto que preciso ser breve)
Glorificação e até erotização do suicídio de Hannah – Certamente a história, de um modo geral, é uma tragédia. Eu comecei a ter essa outra percepção por causa do protagonista Clay, o qual desenvolve todo um senso de justiça, vingança e paixão. As fitas viraram um fetiche pra ele e pro grupinho da escola. As palavras dela tomaram um sentido de verdade quase absoluto, pois é como que sua escolha de morrer fosse uma prova cabal de sua integridade, ao contrário de dois atos bem egoístas: se matar e jogar a bomba pros outros nas fitas. E o jeito que a história é narrada, duvido que, nos meus 16 anos, eu não me apaixonaria pela idéia da moça em apuros que as fitas traziam, certamente eu poderia ser um Clay.
Problemas gravíssimos de roteiro – Porque diabos Hannah ficou sozinha na hot tub depois que todos foram embora? Parece que os autores tão querendo dizer que ela pediu pra dar merda. Podemos dizer que se colocou inconscientemente numa posição de vulnerabilidade, por já flertar com a morte. Mas acho que seria uma análise muito profunda pra uma cena claramente forçada, em todos os sentidos. Tem também as perguntas e indiretas estúpidas do Clay pra mãe dele, Tony vulgo “unhelpful yoda”, Hannah recusar Clay, Zach merecer uma fita (tem que reforçar o esterótipo do jock), o Bryce parecer ter 25+ anos, e etc.
Último ponto, mas igualmente importante: essa série é graficamente perigosíssima para seu público alvo. Não somente as cenas de estupro e do suicídio em si são excessivamente gráficas e LENTAS (ênfase no tempo de tela), praticamente todos episódios tem os famosos triggers dos suicidas. Censura é um negócio muito complicado, e eu particularmente sou contra responsabilizar o cinema, os jogos, a pornografia e etc por atos dos sujeitos. Mas ao mesmo tempo não podemos dar carta branca pra quem produziu essa série, como se a obra artística fosse livre de responsabilidade pelo seu caráter ficcional.


Spoiler